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    É mais fácil você querer se livrar de mim.


        Eu ainda estava correndo atrás do Brendo quando resolvi olhar em direção a loja que ele trabalhava e foi aí que eu vi.
        Ele tombou um pouco a cabeça pro lado e eu vi a menina se esticar um pouco para cima para então seus lábios estarem juntos ao dele. Ele sorria, parecia estar feliz. Ouvi Tainá gritar alguma coisa e então ele olhou para onde eu estava.
        Demorou apenas alguns segundos para eu acordar do transe de ter visto aquela cena e sacudir a cabeça, abri um sorriso de orelha a orelha e procurei Brendo com o olhar. Droga, Brendo estava muito perto da loja, muito mesmo.
        - Vamos Bê, desisto. - Eu gritei ainda com o sorriso no rosto. - Traga de volta.
        Brendo sacudiu o boné em suas mãos e encostou na parede da loja, estava somente a alguns passos de onde ele estava. Eu respirei fundo, ignorando o olhar dele em mim, e fui até o Brendo. Algo em meu olhar contradisse o meu sorriso, porque Brendo não tentou fugir de novo, só ficou esperando para me entregar o boné.
        - Não me desafie mais. - Ele disse e eu mostrei a língua. Nos viramos para esperar Tainá e Sam.
        - Nat. - Eu ouvi a voz dele atrás de mim e me virei, ainda com um sorriso no rosto.
        - Hey baby. - Cantarolei ao som da música de No Doubt. - Como tá?
        Eu o abracei e a imagem dele com outra se fez em minha cabeça, então tentei me soltar, mas ele me segurou. Eu dizia que nos braços dele era o meu lugar de conforto, e incrível que ate quando ele me machuca isso é verdade.
        - O que foi amor? - Perguntei me fazendo de inocente.
        - Não se faça de boba. - Ele disse. Instantaneamente eu me lembrei de Fernando falando “não se faça de otária.” - Eu sei que você viu. Me deixa explicar.
        - Hã? Vi muitas coisas, eu creio. E desde quando você se explica pra mim?
        - Nat... - Ele suspirou cansado e eu traduzi muitas coisas naquele suspiro.
        - Tá, o que foi? Diga.
        - Você... - Ele olhou pra mim por um momento. - não se incomodou.. com o que viu?
        Olhei para o chão, olhei para meus amigos do outro lado da rua – Brendo havia ido pra lá e eu nem percebi – e voltei a olhar pra ele.
        - Sinceramente? - Não esperei ele responder e continuei: - Sim, me importei.. me importo, sei lá. Mas se eu me importo ou não, não importa. Você não me deve satisfação Thomas, nós não temos nada, eu sei.
        - É assim que você vê? Que agente não tem nada?
        - Bom, se tivéssemos você não estaria beijando outra, estaria?
        - Tá. Olha só, amor. - Ele tentou pegar na minha mão, mas eu cruzei os braços. Seu toque seria o fim para mim. - Ok. Você lembra quando eu estive em sua casa na primeira vez, e eu comentei pro Fernando sobre uma foto que eu ainda tinha?
        Eu assenti, esperando a continuação.
        - É ela. - Eu entendi ser a que ele estava beijando minutos antes. - Nós dois, bem, tivemos sei lá uma historia, sabe? E alguém disse pra ela que eu... bom, tava finalmente seguindo em frente. Que já tinha outra pessoa em minha vida. - Ele olhou direto em meus olhos. - Veio aqui tirar a historia a limpo. Sabe, ela tem essa péssima mania de achar que eu pertenço a ela e ela me tem a hora que quiser.
        - Você não tem que me contar essas coisas... - Eu disse, olhando pra baixo.
        Primeiro ele me abraçou e me apertou em seus braços, depois beijou minha bochecha e ficou olhando em meus olhos. Aqueles olhos castanhos que tanto haviam me conquistado de uma maneira que eu nem sabia explicar.
        - Eu sabia tá? - Comecei. - No momento que eu percebi que me sentia.. desse jeito, sabe, com você. Eu sabia que eu ia acabar quebrando a cara. Por que é sempre assim e não vai ter uma exceção tão cedo. Você gosta dela e pelo jeito que ela ficou com ciumes quando soube que estávamos só ficando, ela também gosta de você. Você deveria tentar algo com ela, sério, antes que alguém vá lá e conquiste ela antes.
        Eu estava com o rosto apoiado na curva de seu pescoço e minha voz saia meia abafada por isso, mas também por que eu estava a beira do choro. Falar aquilo estava doendo demais pra mim.
        - Do que você tá falando? - Ele levantou meu rosto e ficou surpreso ao ver as lagrimas presas em meus olhos. - Não faz isso, amor. Eu pensei que você e o Fernando havia conversado sobre nós dois.
        - Conversamos. - Disse num fio de voz.
        - E você não entendeu? É você que eu quero, é por você que estou apaixonado. Não vê isso? É tão difícil entender?
        - É difícil entender porque você tá dizendo isso. Eu já vi vocês dois, você acabou de me falar dela. Até entendo.. Ela tem tudo isso que, bem, que eu não tenho.
        Ele ainda me segurava em seus braços e eu tentava não olhar nos olhos dele, sempre olhando para cima para não deixar as lágrimas caírem.
        - O que exatamente você não tem?
        - Oras, tudo uai. - Eu ouvi ele dar uma risadinha, sempre ria quando eu falava daquele jeito. - Ela é bem bonita, percebi isso. Parece que faz academia não é? Ou aqueles coxões são naturais? O que é melhor, imagino.
        - Por que você se coloca pra baixo desse jeito? Você é linda. Não, você é perfeita.
        - Sei que não, ok? Conheço todos os meus defeitos. Tenho essa voz fina horrível, tenho o corpo mal desenvolvido pra minha idade, sou muito magra, não diga que não, e tenho toda essa minha família problemática que nem sair com você a noite, eu posso.
        Ele suspirou novamente, suas mãos chegaram em minha cintura e ele apertou-me, bem do jeito que gostava de fazer, e eu senti um arrepio subir na minha espinha.
        - Você lembra a primeira vez que nos vimos? - Sabendo que não corria mais o perigo de chorar na frente dele, eu o olhei e balancei a cabeça positivamente. - Eu estava com um amigo, lá na casa da Karina, não era? O Léo. E adivinha? Eu tive que suportar ele falando o quanto te achou fofa e bonita, eu fiquei morrendo de ciumes. E o Fernando, antes de nós dois ficarmos, era doido pra te pegar. E no meu aniversario, todos aqueles caras lá ficaram morrendo de inveja de mim por estar com a garota mais linda de lá. - Eu sorri envergonhada. - Sei bem que Fernando deu em cima de você, duas vezes, e você não ficou com ele. Isso me fez te querer mais.
        - Sério?
        - Claro. Se fosse outra garota, iria ficar com ele e nem lembrar que tinha ficado comigo há dois dias atrás. Você não só lembrou disso como preferiu ficar comigo de novo. E de novo no aniversario do Fernando. Quando eu cheguei e dei um selinho em você na frente de todo mundo e fui falar com os caras de novo, ouvi uns três falando que tava de olho em você. Você tem todo esse jeitinho meio solta e totalmente tímida que faz os caras te quererem tanto e você nem percebe. Faz querer te proteger, cuidar de você e nunca te magoar. Pelo menos eu quero isso. Mas parece que te magoei não é? Eu sinto muito. O que o Fernando disse é verdade, eu quero você. E muito.
        Eu abaixei a cabeça, sabendo que iria as lágrimas queriam vir de novo e aquilo não era bom. Então ele me abraçou de novo e eu o abracei de volta, mordi de leve o pescoço dele e senti que ele ria.
        Ele gostava de mim. Ele me queria. Assim como eu queria a ele.
        - Eu só tenho medo de perder você. - Repeti a frase que ele havia me dito uma vez, bem antes de começarmos tudo isso.
        - É mais fácil você querer se livrar de mim, do que me perder. - E ele repetiu a minha resposta.

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